quinta-feira, julho 20, 2006

SER LIVRE NÃO É UMA BENESSE …É UM DOM…QUE VEM DO BERÇO…


EU, CRÍTICO DE MIM MESMO, ME CONFESSO ….


Quando se chega a esta etapa da vida e não se tem tempo para todas as solicitações –internas e externas –é ,apesar do desconforto , um sinal de bem aventurança .Mantenho impoluta a capacidade de imaginar ,de discernir ,de criar ,de reflectir .O que quero mais da vida ?

E o certo é que não consigo afastar este permanente conflito em que vivo ,dia a dia ,hora a hora ,defrontando –me comigo mesmo, mais do que com ao outros –embora essa por vezes não seja a «fotografia» que transmito .Eu sei disso, perfeitamente …Ninguém se iluda…

«Oponho-me»por principio a tudo o que afirmo :esta é a grande questão . Vivo permanentemente um estado de interrogação sobre o que fiz ,ou sobre o que faço .É terrível, pois desinteresso-me em absoluto das criticas exteriores ,depois de me ter massacrado com as interiores Uma coisa é certa :dei á vida o que pude e o que não pude :Ninguém me pode acusar de ausência ….Ao menos isso …


POR ONDE ME METEM !...

Não sei ,nunca saber dizer não …

As solicitações aparecem-me mesmo quando as não desejo ,de todo .E como sou incapaz de «borregar» , atiro-me a despachá-las …


Vejamos :

De uma «Mestranda» veio-me o desafio sobre três questões : qual delas ,uma, bastava para um grande livro :LAICISMO ;SALAZARISMO ;GLOBALIZAÇÃO .

Certo é que me deu prazer reflectir sobre temas que me pareceram ,ao principio sem fio condutor ,desconjuntados . Foi um desafio , pôr no papel o que sobre a matéria conjecturamos no sub-consciente .

Só que –e isso pareceu-me desde logo estranho – depois de feito o trabalho ,descobri que o que o mestre queria ,afinal ,não era uma simples reflexão sobre o assunto ,isoladamente ,mas encontrar o fio condutor que une estas questões na «nossa História» ; problema substancialmente diferente .Resisti –ainda que isso me custasse umas boas horas de sacrifício –a deixar ..lá . Não!... reformulei tudo ,cortei ,refundi ,clarifiquei . No final fiquei satisfeito .
Oxalá tenha contribuido para um bom êxito desta nossa conterrânea.

Curioso :o pudor de falar sobre o Salazarismo ,quando a assinatura que subscreve não é a nossa


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E A GRANDE FAINA .QUANDO IREMOS FALAR DELA ?!....

De Olhão ,por intermédio de amigo ,chega-me o pedido de uma outra MESTRANDA –parece que é o que está a dar !- para a ajudar num trabalho sobre a MIGRAÇÃO DO »ÌLHAVO » na costa litoral.

Que formidável ,alguém de fora querer saber sobre matéria que a todo custo se encobre .na exaltação redutora –INSTITUCIONAL- da Faina Maior ,feita aqui dentro ,sem se perceber que esta foi ,apenas e só, um acidente de percurso –por notável que seja .

Questão de INCULTURA ;ou questão de negar um erro politico ,crasso ,mesquinho ,patético ,de reduzir o Museu ao seu menor «Dominador Comum».Bastante para satisfazer , só e apenas, meia dúzia de vaidades.

Vou claro colaborar e dar o meu melhor , pois a «estória do ílhavo» merece-o. Ocupa-me a ideia .Tenho de a afirmar …Eles exigem-me .Não sei é se estou à altura .

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O PASSADO ORGULHA-NOS. O PRESENTE ARRIÇA-NOS….


A propósito :

Ao completar a fase escrita do Ensaio sobre o «Íhavo»- faltam-me meia dúzia de páginas !- fico estupefacto com a «categoria» de um punhado «deles» que me deslumbram com o nível de craveira intelectual ,cívica e profissional, atingida .Simplesmente espantoso !...
Que mesquinhez nada fazer –ou pior impedir ,até ...- para os legar à posteridade.

Eu sei … eu sei… que se fizessem …ficavam nus ,expostos na praça pública ,envoltos no papel pardo da sua suprema ignorância. Borrões …nada mais do que isso ,estes peralvilhos de hoje que se envergonham dos seus antepassados .Ou melhor :- os ignoram .Ignotos…
Hoje olho à volta e vejo a miséria intelectual ,moral e cívica do lameiro onde «chafurda» a desinteressada , desidiosa e amorfa sociedade a que desgraçadamente nos deixamos ,pela trela conduzir .
Vá !... desafio : quem hoje era capaz de escrever seis linhas com a categoria de um Ferreira da Cunha ,de um João Carlos ,de um Alexandre da Conceição ,de um Trindade Salgueiro , de um Samuel Maia , de um Guilhermino –para nem sequer falar de Mário Sacramento !-,ou ter um milésimo «dos ditos» –sim porque isso é que nos falta ! - de um Ançâ , de um Artur da Velha, de Thomé Ronca etc .

Somos uma «pleia» em desição…

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SÓ O DEMÉRITO NOS ACUDIRÁ …


Fui nestes dias cumprir o meu dever de votar ,na questão interna do Partido . Logo de seguida desinfectei as mãos em Alcool ,puro …

Aquilo hoje já pouco ou nada me diz…Trôpego , amarfanhado ,segue…à espera que por obra e arte dos erros –demérito -dos outros –que não por nosso mérito –um dia aconteça «a taluda»

Que pena esta geração não ter ouvido na Escola a fábula da cigarra e da formiga.
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ALADINO