quinta-feira, março 30, 2006

«SABIDO»…. QUE NÃO PRÒPRIAMENTE ...«SÁBIO ..»


Continuo mergulhado –dos pés à cabeça – ,por vezes de uma maneira sôfrega ,no Ensaio Monográfico sobre Ílhavo .

Em fase de tratamento do texto ,certo é que algumas partes, exigem ,ainda ,minuciosa atenção .Constato que há matérias complexas ,difíceis ,onde poucos ou nenhuns penetraram (e estou a falar a nível do país).Foi-me dado o conselho : deixe lá …passe por cima, como os outros fizeram “

Não ,definitivamente não…Não sou capaz . Por honestidade intelectual .Se me atirei à tarefa há que esgotá-la ,custe o que custar…

Surpreende-me – hoje tal voltou a acontecer-me -, pretender tirar dúvidas com os «magnificatts» na matéria e levar como resposta : “Olhe sobre isso nada sei ;passa-me ao lado “.

Dou então comigo a pensar sobre a questão , que é a da destrinça entre «sabidos» e «sábios ». Surpreendente ,o conseguir parecer, o que se não é .Uma questão de marketing: - “c’est tout q’uil faut…”.

E vou –me ao exercício com «ganas» de não parar ….



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Hoje voltou-me a falar de UTOPIA

Como se eu não tenha, ainda ,(em mim), uma parcela da mesma,e não tenha demonstrado ao longo da vida ,uma boa dose da mesma…Mas é facto : é difícil explicar –lhe que a diferença esteve no facto de, a minha utopia, ter a partir de determinada altura, sido inevitavelmente confrontada com o meu racionalismo inveterado ,fundamento de vida , razão primeira da minha afirmação .E quem ficou a perder ..foi «ela» ,coitada .E o sonho…

Tive de trazer à colação o Tomás Moro (Thomas More... sim …,esse mesmo que o Cavaco trocou ) e a sua ilha da UTOPIA .Contei-lhe da tal sociedade descrita pelo seu personagem –Raphael Hythloday,para o caso, - onde existiam meio cento de cidades ,todas iguais, à excepção de uma –a capital. Onde todos trabalhavam as mesmas horas, cada um exercendo uma actividade determinada, pré seleccionada ,onde todos andavam vestidos de igual modo , sem distinção ,numa democracia perfeita .Onde se recomendava o matrimónio –com procriação!!! –mas não obrigatório -antecedido por conhecimento prévio nupcial - ,sociedade onde não havia religião , onde as casas eram todas iguais ,e igual o direito de as possuir , sitas em ruas, também elas, todas iguais ,e onde, pasme-se –pois estávamos no inicio do sec XVI! - se aceitava a eutanásia em caso de segura e certa «presunção de morte». Simplesmente admirável, o conceito.

Mas conclui : «chata ,monótono aí viver ,sem direito à diferença ».
Ora ,é neste direito à diferença que se limita a minha utopia .É na diversidade assumida ,para o bem ou para o mal ,que está o encanto da vida .Na luta para se «ousar» ser diferente . É incómodo ?! Talvez ; mas aliciante…Em vez de descansar , inebrio-me com a inquietação…

E já que« ela» estava tão interessada em conhecer as coisas por dentro ,deu para me explicar. Continuei…
…….Nos meus tempos «dos vinte» , com um aprofundado conhecimento sobre o materialismo histórico ,«brilhei» no exame de formatura .Eu julgo que sobre a matéria «sabia mais que o Professor»- diga-se em verdade que não era preciso saber muito - não tendo aquele outro remédio que não fosse o de fazer jus ao facto, e me dar o «dezoito» , a «cereja imerecida» com que compus o ramalhete mediano.

Só que passados anos ,na curiosidade incontida de conhecer «in locco» essa sociedade da igualdade , vi-me frustrado ,completamente desencantado com a realidade perceptível na mesma .O que vi foi uma sociedade podre .Podre em todos os sentidos ,e, fundamentalmente , no tal direito para mim crucial , o de escolher a diferença .Foi o suficiente para me provocar um rombo enorme no meu sonho utópico .E sofri um rombo« abaixo da linha de água» , perigoso…por isso…
E foi daí que tomei o meu caminho, fazendo a escolha politica para uma vida .Mas uma escolha em total liberdade .Nunca empenhei o que penso ,ao politicamente correcto…

Restos da utopia que ainda por cá mora…

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A propósito do «dezoito»…


Fico hoje espantado com as notas escolares que por aí andam .Fala-se de cursos com nota de acesso de dezoito, etc... etc ..
Quando fui docente na Universidade de Coimbra- passe a publicidade,ou sequer, a evocação - , tinha por norma –de todos conhecida – que a nota máxima alcançável por um aluno era de DEZASSEIS . E dizia em jeito de laracha : suplantar isso , quereria dizer que o aluno sabe mais do que o Professor ;e isso …seria um contra senso

Certo é que durante a dezena de anos em que por lá andei a ensinar -tê-lo-ia feito?! -
nunca ninguém reclamou . O truque era sempre o mesmo : se o aluno brilhava , havia sempre a maneira - no final! - de lhe atirar com uma daquelas «especiais »,suficiente q.b. para lhe dar a entender que « o professor ?»... sempre sabia, um pouco mais

Volto acima : o professor era um «sabido» –que não um «sábio»

ALADINO