terça-feira, outubro 11, 2005

O DOMINGO DO MEU DESCONTENTAMENTO


E AGORA ; COMEÇAR OU CRUZAR OS BRAÇOS ?...




E lá vamos aguentar mais quatro anos de uma execrável demonstração de uma politica balofa ,sem princípios ,sem fins estruturantes ,feita ao sabor do acaso das conveniências do momento ,por isso incapaz de mexer nesta apatia ,que como doença endémica, nos prostrou como comunidade .Somos hoje uma terra desidentificada ,apática ,abúlica ,que se deixou ficar para trás do nosso tempo .

Esta terra reagiu muito mal ao pós revolução . E o certo é que o choque não teve nada de traumático ,pois sob o ponto de vista de distribuição de benefícios ela era -historicamente - equilibrada. Mas o que veio ao de cima, foi um terrível dualismo que quebrou os já frágeis laços de convívio entre as suas gentes, que sendo atavicamente egoístas e individualistas ,parece terem refinado com a exacerbação desse niilismo redutor .Passámos a ver tudo ,branco ou negro ,sem atentar que é bom ter a vista em estado de focar outros cambiantes cromáticos.

O Populismo de Ribau Esteves ganhou sem margem para qualquer reparo .E se pensarmos bem ,sem regougar muito , ganhou (dentro dos cânones populistas) ,como consequência de um claro «SAVOIR FAIR».

A gestão dos timmings foi a adequada ;as obras apareceram em catadupa ,e as inaugurações e actos foram até á boca das urnas. As regras destes políticos são essas mesmas ;ou melhor a falta de regras é uma das imagens de marca de tais indivíduos. Se pudessem, ainda no dia das próprias eleições andariam a pintar as urnas ,só para dizerem que faziam…melhor

Mas o que é certo é que a serenidade das Oposições foi flagrante. Chocante ! Parece que estavam todos apostados em libertarem-se do fardo que representa uma disputa para a qual partem, plena e categoricamente derrotados. Esfrangalhados … Dei por mim a estremecer de indignação quando ouvi responsáveis das mesmas ,em distintos partidos ,dizerem-me : o que quer ?! ;Ílhavo é assim.

Que ílhavo é assim, sei-o eu muito bem. Melhor do que eles ,convenhamos….mas que o continuemos a deixar ser assim ,por inacção ,ou inanidade ,já não sei nem quero saber. A inânia foi mal de que, felizmente, nunca me senti tocado .Estou vacinado.

Tenho para mim que o fenómeno politico em Ílhavo tarda a ser compreendido na sua abordagem , e por isso, parece impossível mudar-lhe o rumo .
Ou deixamos de fazer de conta, na postura de quatro anos em que nos deixamos andar totalmente afastados das realidades ,apoiando o que não é de apoiar ,não concretizando o que é esperado concretizar ,não clamando a expressão do nosso desencanto por acto (consciente e sabedor) e obras (diligentes ,e entusiásticas ) ,assumindo assim a ausência à mobilização das vontades , e dessa praxis , jamais a esquerda colherá frutos ,para mudar o panorama politico em Ílhavo (por validade própria). Terá de esperar que o País inteiro mude…e aí … Maria vai com as outras…

Ora o grande mal reside no facto de não se ter passado a imagem –não agora à pressa ,mas há muito ,tanto quanto o mandato-, de que a obra de uma Câmara, não é a de concretizar ,melhor ou pior, a construção de meia dúzia de obras de fachada. Ser mestre de obras com o dinheiro que não nos custa a ganhar ,é tarefa ao alcance de qualquer« pato bravo».
Mas se imbuíssemos o capital humano da necessidade de avaliar a sua qualidade de vida e dos seus ,se lhe conseguíssemos provar que é «preciso navegar» na onda da solidariedade com os mais desprotegidos ,não por palavreado mas por actos e opções, intervindo ,dinamizando ,incitando de modo a unir vontades para acabar com exclusão social , protegendo (novos e velhos ) para ocuparem um lugar de« vida na vida» ,acolhendo-os com alegria ,e lhes explicássemos dum modo didáctico, mas insistentemente, que ninguém tem de aguentar até se sentir «aborrecido de viver» ;talvez as coisas começassem a mudar..

Se de um modo continuado Lhes explicássemos que é urgente a sua participação ,e lhes sugeríssemos como ela poderá ser assumida -e fosse - , para que o que excesso pudesse ser deslocado em beneficio de todos ,desfazendo assim as barreiras e distâncias ideológicas e ou outras ,estou certo que a prazo não muito longo poderíamos inverter a situação.

Se com a participação de todos e não apenas de elites (reduzidas a um punhado que se pavoneia nos locais do parece bem) recuperássemos a nossa história , e nela procurássemos ler os ensinamentos capazes de por de pé um movimento identificador de unidade, nascido em torno do que nos é essencial ,então estou certo que a« fotografia» poderia ser primeiro retocada, e depois. substituída.

Como ?! : -perguntar-se-á
Respondo ,como em casos idênticos sempre respondi :- Trabalhando …Trabalhando…arduamente …Começando já amanhã e não descurando um único dia até 2009.

Teremos 15.000 dias para converter 15.000 eleitores :Não há,por isso , tempo a desperdiçar . UM POR DIA!...


ALADINO