segunda-feira, outubro 31, 2005

AS ROTAS DOS BACALHAUS
SÉC IX AO SÉC XVI



( EXCERTO)

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11-O ÍNICIO DA GRANDE SAGA
DOS BACALHAUS


A partir do princípio do Século XVI intensificou-se a ida de diversas embarcações na procura dos Bacalhaus, agora com um programa perfeitamente claro e objectivo, com a finalidade de capturar esta espécime de peixe que passou então a ser essencial a uma Europa que tinha, por motivos religiosos, nessa altura, 150 dias por ano de abstinência de carne.
Portugal acompanha esta epopeia, e é tal a importância económica das capturas que em 1506, D. Manuel, reclama para a corte o dízimo na pesca do Bacalhau nos portos de Aveiro e Viana (H.P. BIGGAR atràs citado), afirma que tal imposto se destinaria ao pagamento dos custos das viagens de Corte Real), o que dá conta da importância do mesmo na nossa economia significando que nesses anos, era já muito intensa a pesca do fiel amigo. Esses benefícios foram sucessivamente renovados pelos Reis D. João III em 1522, passados para seu filho em 1538, e confirmados por D. Sebastião em 1576.
“HISTÓRIA DE GENTIBUS SEPTENTRIONAIS “
Roma 1555 (fig. 28)

Há notícias, como atrás referimos, sobre o estabelecimento de uma primeira colónia em terra, fundada por portugueses a sudeste da Terra Nova, havendo contudo, hoje ainda, alguma hesitação quanto às datas exactas da sua fixação: uns afirmam ter sido estabelecida em 1506 (isto é, para se ter uma ideia, seis anos após a segunda viagem de Gaspar Corte Real!), outros na sequência da viagem de Álvares Fagundes em 1524/25 e outros como Morison, referem-na em 1544. De todos os modos, teria sido, pensa-se, uma das primeiras, senão a primeira, dos países Europeus. Essa colónia era composta de gentes de Aveiro e Viana do Castelo que, no dealbar da Saga dos Bacalhaus, sempre estiveram juntas.
Refere-se desse tempo, como se pode verificar da citação de ADRIANO BALBI em 1882

“..puisque’ ils y allaient á cette époque, le seul port
d’Áeiro y envoiyant soixante navires par an…

(…) dailleurs les noms des ports de ille de Terre
Neuve sont presque tous portugais …

Assim, constatamos que só de Aveiro sairiam 60 embarcações, de um total de 150 que o País enviava no último quartel do Século XVI, à Terra Nova (Anexo V). Se pensarmos que pela mesma altura (1548) a França tinha neste esforço de pesca 150 embarcações, podemos avaliar da importância desta actividade, no nosso país, naqueles tempos. Esta colónia que chegou a controlar grande parte do litoral, optava por salgar e secar o bacalhau em instalações, em terra, que os navios vinham abastecer. Sabe-se que a colónia se mantinha a funcionar, ainda, em 1579, nas mãos de Vasqueanes (?) Corte Real.

Curiosamente, a palavra BACALHAU vem do nome dado pelos Bascos a tal espécime de peixe, designando-o por BAKAILU, derivando para BACALLAO as suas variantes encontradas nos bancos.
Condições climáticas no século XIII levaram ao progressivo desaparecimento do Bacalhau da Mancha e das costas Irlandesas. Há documentos que referem ter sido celebrado em 1327, um acordo entre pescadores portugueses e Eduardo III de Inglaterra, em que é concedido àqueles, durante “cincoenta anos”, direitos de pesca nas costas daquele reino.
Reza o acordo referenciado em TRADIÇÕES HISTÓRICAS E ECONÓMICAS de Eurico VALLE (Lisboa 1991):

“tratado de 1327-1377 entre Inglaterra e Senhorios das cidades marítimas do Porto e Lisboa, e outros do Reino. Previa que os pescadores portugueses poderiam ir pescar livremente nos portos de INGLATERA e BRETANHA, ou noutros portos e lugares pagando sòmente os direitos devidos ao País”. Foi o negociador do mesmo Afonso Martins, chamado de ALHO.

A crise do arenque nos mares setentrionais, com a posição assumida pela Dinamarca, leva à procura de outra espécie mais rentável e, acima de tudo, capaz de aguentar longos períodos de salga.
Vai então começar a saga do BACALAO iniciada pelos franceses no dealbar do Século XVI, no que serão acompanhados por Bascos, Dinamarqueses, Portugueses e outros.
No Atlas do italiano Andrea Bianco (1436), aparece numa zona a oeste do Atlântico, o nome de stoc fis de onde derivará o nome inglês de stockfish, que quer dizer peixe seco ao ar sobre cordas (em francês ESTOC - poisson de bâton).

Algo parecido com o secretismo dos descobrimentos portugueses, vai passar-se então com as primeiras Campanhas à procura dos Bacalhaus; a pesca miraculosa que era feita por alguns, leva à procura de novas informações. O segredo é mantido tão ciosamente quanto possível.

Tal segredo guardado durante os primeiros achados, porque pouco ou nada referido em manuscritos, mas apenas em versão oral, pôde ser mantido até às viagens de Cabot e Cartier (1534). A partir daí, e depois das viagens de Corte Real, o segredo terminou.
Todas as flotilhas dos armadores de pesca da Europa foram em busca do el-dorado de então.
Desde o Século XV (1470) e, principalmente nos primeiros decénios do Século XVI, os portos portugueses (Aveiro e Viana) e também os normandos (Honfleur 1506), bretões (Bréaht 1508 e Dahouet 1510) bascos (Cap Breton) - destes são referidas já em 1412 uma vintena de embarcações ao largo da Islândia -, passam a armar embarcações para pescar o bacalao e, em alguns casos, praticarem mesmo, inicialmente, uma pesca múltipla: a da baleia conjuntamente com a do bacalhau (bascos).

12-FROTA DOS BACALHAUS NO
SÉCULO XV E SÉCULO XVI


NO ÍNICIO A TONELAGEM DAS EMBARCAÇÕES
ERA LIMITADA 30 a 40 TON (Tonéis), DEZ A DOZE
HOMENS (fig. 29)

Uma frota imensa, começa então a ganhar corpo; na Histoire de la pêche française de la morue dans L’amerique septentrionale - La Morandière refere que todos os portos, mesmo os mais pequenos, se afirmam como armadores de “Terre-Neuves”. Continua, para sublinhar que tudo o que era “matelot” ou pescador de peixe fresco, passa a integrar a frota para os Bancos.

A dimensão de tal frota em França, se parece excessiva a alguns, é, pelo contrário, confirmada por outros historiadores que até a julgam, pecar por defeito, pois, só os arquivos de La Rochelle e de Bordéus registam armar, a meio do século XVI, para cima de 150 embarcações. No fim do Século XVI, utilizando uma tecnologia rudimentar, eram já colhidas 100.000 toneladas de bacalhau por ano, quantidade que no séc. XIX, atingia valores que oscilavam segundo os anos, entre 150.000 a 400.000 toneladas por ano.
No século XVIII, GRANVILLE - Ílhavo da pesca Bacalhoeira francesa - acolhe na sua bacia - pois nem sequer era porto de grande qualidade - mais de uma centena de terras novas, empregando tal actividade 6.000 tripulantes, registados.

1 Comments:

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31 de outubro de 2005 às 01:27

 

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