quinta-feira, janeiro 13, 2005

ONTEM ,COMO ANTES DE ONTEM , COMO HOJE….
NESTA TERRA, O NIVELAMENTO… FAZ-SE POR BAIXO…



Ao dar os últimos retoques num despretensioso trabalho -mas que eu julgo necessário e útil - que tem por figura central o notável ílhavo, Alexandre da Conceição , reparei em alguns factos ,que vieram reforçar em mim a ideia dolorosa que ,se Ílhavo foi ao tempo da sua morte madrasta para um dos seus mais proeminentes filhos , mais grave é que tenha repetido, ainda há bem pouco , e noutras condições de abertura ao mundo – mas objectivamente pelas (mesmas) razões decalcadas das de então - os mesmos agravos ,as mesmas insidias ,os mesmos insultos, à memória de outro dos seus grandes ,Mário Sacramento.

Vamos à questão:

Durante gerações e gerações - já lá vai mais de um século – Ílhavo desobrigou-se de
render as devidas homenagens a uma das suas figuras mais proeminente , Alexandre da Conceição ,poeta de rara distinção , acima de tudo, figura notável na intervenção cívica do seu tempo , envolvida lado a lado com os maiores de então (Teófilo Braga , Antero, Guerra Junqueiro ,Eça de Queirós e tantos outros) , na abertura de Portugal ás novas ideias Democráticas, aos novos sonhos de Liberdade que varriam, no segundo quartel do sec XIX , a Europa de então.
Alexandre da Conceição, indubitávelmente, foi um grande, entre os grandes deste País.

Não é agora, nem o momento nem o local, adequados para relevar a brutal polémica que travou com esse génio da letras nacionais , Camilo Castelo Branco , diatribe que ficou registada par a história , tal a sua importância e ou significado, como o “MODELO DE POLÉMICAS PORTUGUESAS”

Durante gerações foi justificado esse olvido , fundamentalmente baseado em duas afirmações que, posso hoje claramente , provar terem sido capciosas , inverdadeiras, baixas ,intoleráveis,
A saber:


1ª - Que Alexandre da Conceição depois de sair de Ílhavo, se teria desligado em absoluto da sua terra natal (ou indo mais longe ,repudiado) e que nunca, com ela e ou com as suas gentes, ter prolongado os laços de amizade , ou até, de re - aproximação

2ª Que Alexandre da Conceição teria mesmo afirmado em vida “ não pretender ter as suas cinzas depositadas em Ílhavo “ , após falecimento .O que ,se não foi de todo uma inverdade, foi tal afirmação retirada do contexto em que foi expressa ,e subtraídas -por maldade e para fins reles -, as razões que teriam levado Conceição a tal postergação.

Quanto á primeira afirmação, que pretenderia ser uma razão para justificar o injustificável , ela é falsa ; diremos , rigorosamente falsa. E, ou foi dada por ignorância ou ,como suponho antes, expensa por evidente má fé , por contundência abjecta pois , manda a verdade afirmar que,


1-Alexandre da Conceição visitava regularmente a terra onde nascera

2- Alexandre da Conceição ter mantido ao longo da sua curta vida, laços de grande proximidade com os seus conterrâneos ,pois ,não só vinha visitar, a Ílhavo, regularmente sua Mãe (tendo-a , quase no final da vida, levado consigo) como vinha assiduamente, homenagear os amigos aqui deixados, com quem mantinha assíduo contacto epistolar ou outro ; e, não raro , honrava-os com poemas que lhes dedicava, o que aconteceu ,entre outros ,na homenagem ao seu mestre escola , Prof Ratola, e ao amigo Padre Regala ,aquando da primeira missa deste prelado.

Mais , …(e por muitos desconhecido ):

Alexandre da Conceição foi ,na escola do prof. Ratola , colega do Ançã , desse que viria a ser o arraias sem medo ; na meninice foram colegas de cama - de .barra -como um dia referiu o Ançã ,mas e também , de mesa, já que a ligação que unia os dois jovens era fraterna, intensa , muito forte e permanente .Essa amizade prolongou-se pela vida fora, com Conceição a procurar amiúde o Arrais e ,até , a desafiá-lo para que “fosse para seu remador particular” (ao tempo em que era Director do porto da Figueira)


Cai assim pela base ,desmorona-se, a mensagem aberrante com que espíritos torpes, mesquinhos e reaccionários de então , em Ílhavo , tentaram intoxicar a opinião da população, para assim justificarem o alheamento da terra á perda de um dos seus maiores expoentes. Intoxicação que perdurou nos tempos, diga-se… até há bem pouco…Falaremos disso…


Quanto à segunda acusação, é facto de que foi anunciado ter o vate expresso o desejo de, depois da morte ,não pretender que as suas cinzas viessem para Ílhavo. Mas isso bem ao contrário do que pretende a tese ser motivo para a postergação ,muito ao contrário ,demonstra que A.C se sentia um ílhavo de corpo inteiro, de pleno direito : e que ao dizê-lo, A.C. exprimia a mágoa ,mostrava a ferida que lhe ia na alma sensível, futo dos ataques soezes ,das calúnias, das invectivas de que foi alvo, aquando da terrível polémica travada com Camilo, vomitadas por conterrâneos seus ,caciques ao tempo, em Ílhavo ,
Dessas calúnias nasceu a informação fornecida a Camilo da proveniência de Conceição ; conhecimento de que Camilo extraiu preciosos dividendos para atacar insidiosamente o ílhavo - raça ,dizia Camilo, descendente de «Baco» - já que, quase até final, julgou-o antes nascido em Trancoso.

Só em 1927 se inicia no Beira Mar ,pele pena de Maia Alcoforado, a campanha de reabilitação e defesa do bom nome de Alexandre da Conceição.



Ora tudo isto –e muito mais que procuro revelar no referido trabalho - trouxe-me à ideia um caso muito idêntico em que me vi envolvido , repetido então com Mário SACRAMENTO (sem qualquer duvida foram os dois, os maiores vultos da historia ilhavense no campo da cultura) .Deve ainda estar na memória de muitos quando ,depois de Abril de 75 , se pretendeu homenagear tal ílhavo insigne ,e se propôs para tal ,muito justamente, dar a uma artéria da Vila o seu nome ; foi uma luta ,então, titânica , onde espantosamente o filme parecia ter sido já visto .- verdade é que , um século depois, foram desenterrados exactamente os mesmos argumentos ,só que propalados por outros actores ,eles também de terceira categoria , mas da mesma estirpe, da mesma cepa e formação, das dos mentecaptos de outrora. A massa era a mesma.

Afirmavam os novos “próceres” o não merecimento de tal homenagem ,pelo afastamento –diziam -, de M S da sua terra ,que afirmavam ,ter sido de claro abandono ,o que era rotundamente falso. Mais , ajuntavam … ( pasme-se! - outra vez..) , não teria pretendido M S - como outrora A C - que após a sua morte ,os seus restos mortais ,viessem para Ílhavo (o que evidentemente não passou de clara aleivosia, uma atoarda reaccionária ,ignóbil ,reles) .

Passados cem anos voltou -se a mostrar a lepra , que parecendo adormecida , revive e alastra, quando se tenta recolocar a escala de valores, em seu correcto alinhamento.

Mas facto é que HOJE ( era 8 pós RE) ,como há um século ,ou há trinta anos ,incensa-se a futilidade, elogia-se a mediania, venera-se o incapaz, com o fito de fazer sobressair dessa vã glória , a “capacidade” dos incapazes. Ontem ,como antes de ontem , hoje …sempre!!!

TERRA MADRASTA…!!!


ALADINO