segunda-feira, janeiro 03, 2005




ILHAVO TERRA "GAFADA" ?!...




Hoje, horas pimas do Novo Ano , passei lá por baixo para ver se as coisas teriam mudado .

Se as conversas tinham outra profundidade e ou intencionalidade ,se denotavam alguma ,anda que ténue ,mudança. Se havia um novo estado de espírito nas gentes.

Esta sensação que em mim se instalou , de que a esperança é a ultima a morrer , parece começar a não ser mais do que um estado obsessivo.

Tudo está exactamente na mesma, constato. Somos, como diria .T. uma comunidade pacifica de revoltados

Atingiu-se um estado de total descrença , de cruciante inércia ,de tal aviltamento pessoal que se gerou uma total irresponsabilidade cívica ,nas gentes de Ílhavo.

Dá a impressão que mais ninguém pretende assumir outra postura que não a de viver paredes meias com o arrivismo ,com a indiferença cívica ,com a subserviência ao poder instalado ,num cruzar de braços á espera que as coisas mudem por intervenção de entidade divina ,ou outra, seja ela qual for, desde que não dependa do nosso esforço ,da nossa vontade ,do nosso querer ou exigência.

A TERRA DA LÂMPADA ..PRESCREVEU


Magoa viver numa sociedade destas.


Há quem atribua a génese do termo Gafanha às zonas onde haveria uma terras gafadas , terras , onde só aqui e ali, se vislumbravam enfezadas plantas a querer resistir ao inóspito areal. Terrenos gafos ,dizia-se
Agora creio que esses gafos somos nós mesmos , enfezados cidadãos que se vêm aqui ou ali postados, inertes neste deserto de vida cívica.

Somos pois uns “gafos entre gafados” - já o dizia o poeta.

Fico para aqui a pensar que abrir sozinho um sulco penetrante capaz de rasgar transversalmente esta Sociedade doente, é tarefa que vai, dia a dia, parecendo-me mais inútil.

Mas sei, e isso é dramático, que não me atrevo a desistir e dizer :- pois passem muito bem ,caríssimos…

Mais grave é este sentimento de atroz castigo , de por vezes me sentir como ovelha fora do rebanho : Ovelha ranhosa –dirão uns….; - aqueles a quem incomodo. Certamente…
ALADINO