quarta-feira, novembro 17, 2004

VALHA-NOS AO MENOS ISTO.....

UMA PEDRA NO CHARCO....

Quando parece termos já perdido a esperança ,uma pedrada no charco tem o efeito de querer dizer-nos que ,de facto, aquela é a ultima de que nos devemos desligar ; aconteceu hoje no Museu ,com as simples, mas julgo que parcialmente conseguidas, comemorações a propósito do DIA DO MAR.

Sem duvida que este Director do Museu , de quem pouco ou nada conheço senão o trabalho que vem sendo apresentado , foi uma óptima “aquisição” para o Museu ,tornando-o vivo ,activo e dele fazendo ,se o trabalho continuar –e parece que sim- , uma casa de Cultura Viva ,que é o mais importante.

E é isso que deve ser o Museu. Levá-lo ás pessoas ao invés de esperar por estas.


Tenho criticado o projecto físico do novo Museu .Critico até o local escolhido que bem poderia ser outro muito mais apelativo , ali junto ao espelho de agua , na Malhada,
recuperando a zona (histórica) ,iniciando a viragem que se espera de Ilhavo, voltando-o para a ria. Instalando ali o museu da faina maior ,mas e também ,o museu da Ria ,numa forte ligação e continuidade da história , pondo de lado a ideia redutora e exígua de que a nossa Saga –importante claro ,mas não única- se resumiu à grande faina .

Esclareço que se o projecto arquitectónico é, em nossa opinião –por isso discutível - bom ,sem contudo ser transcendente- como se pretende - ,considero-o porém muito pouco conseguido relativamente á função que pretende cumprir. Há um claro desajustamento entre a obra de arte que o edifício pretende ser e o objectivo para que foi criada.

Este projecto vem ao encontro da discussão generalizada que já vi e ouvi noutras partes . ,que é o de saber-se se o Museu (fisico) deve ser apelativo ,impressionar ,cativar pela sua identidade artística ou pelo seu conteúdo .Especialmente nos casos em que a primeira secundariza a segunda Modernamente tem-se dado mais atenção e primazia ao valor quase escultórico do projecto do que ao conteúdo que encerra : isto é claro, nos museus ditos Comerciais , que servem basicamente pelo apelativo do seu exterior, da “caixa” que encerra o conteúdo

O projecto do Museu de Ilhavo , sob o ponto de vista arquitectural é um bom exercício na fotografia ,pese embora alguns pormenores menos conseguidos ,quando vasculhamos o seu interior ; se olharmos á optimização dos espaços e ao enquadramento destes com o exposto , há que humildemente reconhecer que estamos longe do bom. A Sala da Faina Maior não tem a dimensão necessária e só a mestria do autor do conteúdo salvou o desastre. Sabemo-lo quanto isso custou, pois ela era ainda pior do que está hoje patente .Não fora a teimosia do Com Francisco Marques e o exercício de meter “o rossio na bestega” teria sido impossível.

A Sala da Ria é um falhanço gritante .Quer em volumetria , quer em profundidade ,quer na horizontalidade do piso. .De todo desligada do conteúdo ,que se sabia ir conter.. Impensável mesmo , pois é já incapaz de aguentar o espólio e este está limitadíssimo.
Alás o espólio da Ria (embarcações) teria sido bem tratado se as mesmas fossem apresentadas no seu habitat , no seu elemento próprio ,o que nada teria sido dificil, muito em especial se o Museu tivesse sido deslocado . Eu sei ...eu sei ... a questão do subsidio etc mas isso são histórias mau contadas.

A Biblioteca é sofrível , claramente deixando muito a desejar.

Mas é o que temos e onde o temos .
E o facto é que este Director (e o Grupo dos Amigos) têm- se esforçado por salvar esta terra do pântano ,funcionando e esgotando nas suas iniciativas ( praticamente ) toda a actividade cultural de validade no burgo ,dinamizando -.a ,captando o interesse e gerando expectativas. Oxalá o esforço se veja compensado pela adesão das gentes.

Sem dúvida que hoje vou-me deitar já mais satisfeito e “mais de bem” com a TERA da LAMPADA.

ALADINO